O Mercado e a Idade

O quanto você vale para o mercado?

Fico aqui lendo as reportagens de headhunters e profissionais de recursos humanos de conceituadas empresas, onde abordam a questão da empregabilidade daqueles que possuem mais de 40 anos de idade, e fico me perguntando.

– Será que eles acreditam verdadeiramente no que dizem?

– Será que praticam aquilo que estão falando? Ou são da turma do faça o que digo, mas não faça o que faço.

– Será que estão declarando somente o que é politicamente correto?

O que mais ouço falar é que as empresas estão amadurecendo e entendendo que a experiência do profissional é que traz retorno. De certa feita até escrevi um artigo aqui defendendo a contratação dos mais idosos, pelo simples fato de que pela experiência adquirida, possuem maior autonomia de ação, bem como são 70 % mais assertivos que uma pessoa sem experiência e assumem seus erros, não os escondem como boa parte dos novatos o faz.

Mas o que o mercado tem praticado? Simples, o profissional de menor custo aparente. Porque aparente? Por que este profissional barato causa muito prejuízo a empresa e a mensuração disto muitas vezes se tornam difícil, senão impossível e fica mascarado. E quando o acionista vê, já é tarde.

A contratação de uma pessoa experiente, mas com um salário pífio, leva a empresa a perder o profissional tão logo ele consiga algo que o remunere dentro de padrões razoáveis para o cargo exercido, pois afinal de contas com 50, 60 anos de idade, o padrão de vida é distinto dos 30, 40.

E na qualidade de gestor, tendo muitos editais publicados, bem como vídeos gravados e publicados, fico me perguntando o que é mais viável profissionalmente.

Fazer-me de cego ao que ocorre no mercado e somente declarar o que é politicamente correto e ficar bem com todos, ou ser justo e reto declarando a verdade nua e crua do mercado de trabalho e da imaturidade empresarial por que passamos?

Prefiro ser verdadeiro e até perder oportunidades do que bancar o avestruz, pois ao final terminamos por pagar pela omissão.

Tenho 61 anos, as vésperas dos 62 anos, estou em pleno gozo de minhas faculdades mentais e físicas, possuo ampla experiência profissional e de vida, sendo no entanto discriminado, pois sou terceira idade, ou melhor idade como anunciam alguns incautos. Conheço inúmeros profissionais na mesma condição que eu e que estão parados e tendo toda experiência perdida, enquanto o mercado necessita dela.

Creio firmemente que ainda tenho capacidade profissional para atuar de 12 a 15 anos no mercado de trabalho sem apresentar o cansaço que a idade traz.

Não existe idade. A gente é que cria. Se você não acredita na idade, não envelhece até o dia da morte.

Márcia Haydée

Ronaldo Marinho – Gestor Administrativo Financeiro.