O quanto você vale para o mercado?

O quanto você vale para o mercado?

O que vou relatar deve já ter ocorrido com você. Esta semana recebi um telefonema de uma empresa de médio porte (O nome nem vale a pena relatar. Para que fazer propaganda gratuita) me oferecendo uma vaga de Gestor Administrativo Financeiro. Em meio as diversas perguntas e questionamentos, perguntaram se tinha mais de 5 anos de experiência na função, se possuía inglês fluente, ao que respondi que possuo mais de 20 anos de experiência na função e que meu inglês é avançado e não posso chamá-lo de fluente pois a muito que não pratico, de forma que necessito uns 3 a 4 meses para restabelecer a fluência. Perguntaram então sobre o meu espanhol, e falei que era intermediário, sendo bom para ler e escrever e já antecipei que o meu francês era básico, só para ler e escrever e mesmo assim com certa dificuldade.Passadas as perguntas da parte deles, iniciei as minhas, como localização geográfica do local de trabalho (Matriz), benefícios e o quanto estavam dispostos a investir no profissional

Respostas:

1ª – O faturamento médio mensal é na faixa dos R$ 750.000,00

2ª – O profissional contratado fará gestão sobre toda a empresa. Algo em torno de 170 funcionários.

3ª – Fornecemos Vale transporte (Começaram mal, pois isto não é benefício é direito)

4ª – Estamos “pensando” em contratar um plano de saúde com coparticipação.

5ª – Estamos negociando a questão do ticket refeição.

6ª – Pensamos em um provimento ao profissional na faixa de R$ 2.500,00 a R$ 3.000,00.

Agradeci a oferta e consideração, e educadamente abdiquei da proposta.

E fiquei pensando. O quanto um profissional vale para o mercado?

Solicitam escolaridade, pós ou MBA desejável, outras línguas e vem com uma faixa salarial que não dá para manter ninguém com uma mínima possibilidade de se atualizar através de cursos e eventos.

Talvez esteja aí uma das razões para tanta quebradeira de mercado, tanta gente desempregada, tanto prejuízo, tantas reclamações no PROCON, tanto mal atendimento ao cliente com consequente falta de fidelidade.

Desde quando um profissional que se preze pode vir a se submeter a isto? Em meio a uma crise financeira? Com certeza. Mas quanto tempo este empresário crê que vai mantê-lo em seus quadros? Será que ele pensou no grande buraco que vai haver quando este profissional se for? Será que então contratará um “Zezinho” que todo pomposo exibirá seu crachá de Gerente a todos como se fosse um troféu?

O empresário tem que entender que estamos na época de garimpar no mercado os bons profissionais que estão desalocados e pagar a eles, pelo menos o que se pode pagar. Não falo de somas astronômicas, mas sim valores que justifiquem a experiência e expertise, pois o retorno é certo. Economia com a saúde da empresa é o mesmo que economizar na conta dos remédios para uma doença.

Uma empresa com praticamente duas centenas de funcionários com um faturamento bruto médio mensal da casa dos R$ 750.000,00 pode muito bem bancar um profissional com este perfil na faixa dos R$ 8.000,00 a 10.000,00, com gasolina e refeição. Sem nenhum susto, pois o profissional se paga.

Entendo o valor oferecido na padaria do Seu Antonio, no mercadinho do Seu José, na lojinha do seu Isaac. Em uma empresa de porte pequeno. Mas em uma empresa de médio a grande porte? Difícil conceber.

Passamos por tempos difíceis, a aceitação de coisas como estas chega a ser pecado, mas muitas vezes necessárias por uma questão de sobrevivência, mas estes profissionais são como passarinhos que no momento exato e propício voarão para outras plagas mais prósperas. E a empresa? Bem, esta ou aprende ou retorna a sua mediocridade.

“O capital existe, se forma e sobrevive à custa da sociedade que trabalha e nem sempre é recompensada pelos lucros que gera.”
– JOAQUIM MARIA MACHADO DE ASSIS

Pense.

Ronaldo Marinho – Gestor Administrativo Financeiro.