Prepare-se para o mercado de trabalho

Prepare-se para o mercado de trabalho

Vejo este título a todo momento, com belas ilustrações de pessoas com aspecto de bem sucedidas e abastadas, Mas tudo isto não passa de um chamariz para cursos profissionalizantes, especializantes, de línguas….

Não estou falando que estes cursos não sirvam de incremento curricular ou de fator diferencial no momento de uma contratação, mas profissionalmente falando, o que estes “espertos” não falam é que o parco dinheiro que se tem (E em muitos casos é dinheiro de rescisão contratual), deve ser muito bem aplicado. E nem sempre um curso é o caminho das pedras. De forma que o candidato a “especialização” tem e deve antes de fechar qualquer tipo de contrato ter muito bem definido em sua mente, onde quer chegar.

Em que segmento de mercado pretende atuar?

Como você acha que estão seus concorrentes?

Qual o tipo de empresa ele espera ser contratado? (Pequena, Média, Grande, Familiar, nacional, multi?)

Atuará com o mercado interno ou externo?

Onde terá mais chance de se colocar?

Qual o custo do “investimento” que vai fazer?

O quanto pretende receber?

Qual o prazo de retorno que terá?

O mercado escolhido está contratando ou está em retração?

Este é o básico do básico para começar uma análise de investimento. Lembre-se que você está se sacrificando para ter uma especialização, uma melhora em relação a concorrência, então pense bem antes de se jogar sobre uma destas propagandas que muito oferecem mas nada entregam. Avalie o curso, veja seus registros, sua expertise, quantos cases de sucesso possuem no ramo, se as empresas os procuram para indicar profissionais…

Estudei 5 anos em um instituto de idiomas, ficando as voltas com o Inglês e o Francês e só utilizei o conhecimento adquirido na leitura de livros ou quando fui ao exterior em passeio. Grande parte das empresas em que atuei fizeram questão da língua fluente, mas não teve uso algum.O “by the book” do colégio teria atendido perfeitamente a demanda que apareceu.

E uma coisinha a mais, não esqueçam que estamos em um país com mais de uma dezena de milhões de desempregados em todos os níveis, de forma que um simples anúncio, seja onde for levam o recrutador a receber centenas de curriculae para uma só vaga e que nem sempre as áreas de RH possuem a expertise necessária para selecionar os melhores, isso se tiverem a paciência necessária de ler atenciosamente a todos os que recebem.

Para terem uma ideia, para uma vaga de atendente recebi 478 curriculae. Li atentamente a todos, vi experiências anteriores, formação,… e selecionei para dar prosseguimento ao processo somente 15, pois no bolo, fora os reprovados pela parca experiência, tinha curriculum de engenheiro, administrador, porteiro, segurança, faxineiro….

Na entrevista 8 foram reprovadas por questões de linguajar, postura, vestes, horário de chegada para a entrevista… e das sete restantes somente 5 lograram êxito perante a redação solicitada.

Talvez se eu tivesse deixado para o RH efetuar a triagem, algumas destas 5 finalistas não entrariam na lista inicial. E eu fiz a triagem porque estava montando uma equipe que desejo ser diferenciada, de forma que tratei de todas as contratações pessoalmente.

Imaginem agora isto no âmbito de sua posição profissional. Será que a área de RH tem competência para selecionar Engenheiros? Médicos? Administradores? Simplesmente pelo perfil tratado pela área? Duvido muito.
Que me perdoem os profissionais de RH, mas no decorrer de minha vida profissional aprendi que a depuração inicial tem que ser feita pela área contratante, pelo gestor da vaga. Depois as questões de se traçar perfil,… Aí sim é com RH, para devolver pareceres com a finalidade do gestor da vaga definir quem ele quer ou não quer entrevistar.
Mas voltando ao nosso assunto. Pelo que posicionei aqui, vemos que o processo de seleção de seu curriculum nos dias de hoje tem um fator muito grande do que podemos chamar de sorte, de maneira que não é um curso preparatório ou de especialização que fará de você um astro em sua carreira com querem demonstrar. Auxilia? Com certeza. Mas dentro de certos parâmetros.

Cuide de seus investimentos. Invista em sua carreira, mas de forma racional e não emocional. Se for necessário, mude de ramo, mude de profissão, tome outros rumos, mas não fique malhando em ferro frio, pois só vais se cansar. Tens que olhar para o mercado presente e futuro com olhos críticos, cérebro atento e coração apagado.
Não se esqueçam que não corrigir nossas faltas é o mesmo que cometer novos erros.

Ronaldo Marinho – Gestor Administrativo Financeiro e de Processos.